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  • domingo, 10 de outubro de 2010

    Manejo florestal

    Manejo florestal comunitário é exemplo


    Projetos de manejo florestal comunitário no Brasil e no Nepal são exemplos de como proteger as florestas. Essas iniciativas garantem que as matas conservem a biodiversidade, ao mesmo tempo em que geram benefícios econômicos e sociais para as pessoas.
    No oeste do Pará, famílias integrantes da Cooperativa Mista Flona Tapajós Verde (Coomflora) vivem hoje da extração sustentável da madeira de uma área de 32 mil hectares, que é manejada por eles desde 2005. A iniciativa partiu da própria comunidade, em 1991, que começou a discutir com o governo como colocar em prática a idéia.
    No Nepal, a revolução provocada pelo repasse do direito de uso das florestas por comunidades locais fez do país um grande exemplo de êxito da Ásia. Em 1950, o governo nacionalizou todas as florestas, tendo em mente a conservação por meio de manejo comunitário. Hoje, são 15 mil as áreas protegidas, representando 23 milhões de hectares ou 23% do total de florestas.

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    sexta-feira, 8 de outubro de 2010

    Agricultura Sustentável

    AGRICULTURA ECOLÓGICA
    Agricultura Sustentável e Sistemas Ecológicos de Cultivo (Agricultura Química x Agricultura Ecológica)


    É necessário esclarecer que existem diferenças entre a agricultura tradicional e a agricultura praticada atualmente. Chama-se agricultura tradicional o conjunto de técnicas de cultivo que vem sendo utilizado durante vários séculos pelos camponeses e pelas comunidades indígenas. Estas técnicas priorizam a utilização intensiva dos recursos naturais e da mão-de-obra direta. A agricultura tradicional é praticada em pequenas propriedades e destinada à subsistência da família camponesa ou da comunidade indígena, com a produção de grande variedade de produtos.
    Desde o final da Segunda Guerra Mundial teve início um processo de declínio da agricultura tradicional praticada até então. Na década de 60, começa a ser implantada uma nova agricultura, chamada moderna, que se caracteriza pelo grande uso de insumos externos, utilização de máquinas pesadas, mau manejo do solo, uso de adubação química e biocidas. A agricultura moderna existe há poucos anos e já demonstra o colapso de suas técnicas. Desta forma, não pode ser considerada uma agricultura de fato sustentável, ao contrário da agricultura tradicional, que tem centenas de anos de história e sustentabilidade a longo prazo.
    O termo mais adequado para denominar a agricultura praticada atualmente é agricultura moderna, convencional, química ou de consumo. Esta agricultura teve origem a partir de modificações na base técnica da produção agrícola, o que se chamou de modernização, e apresenta conseqüências que demonstram sua insustentabilidade.
    O consumo exagerado de insumos externos, ou seja, insumos de fora da propriedade ou de sua região, geralmente são de alto custo e causam a dependência financeira, tecnológica e biológica do produtor. A produção destes insumos não passa pelo produtor e não é influenciada por ele, gerando a dependência financeira e a dominação do fornecedor. Da mesma forma, sua aplicação não é de conhecimento e controle do produtor, de onde vem a dependência tecnológica e, junto com ela, a biológica, no que se refere à manipulação genética e uso de microorganismos.
    As sementes tradicionais, que eram selecionadas e utilizadas pelos camponeses ano após ano, estão se perdendo. Hoje, existe apenas uma pequena variedade de plantas em que se consegue obter a mesma produção a cada safra. Em geral, o produtor não consegue mais utilizar a mesma semente, tem que adquirir outras variedades e usar novos insumos. É o que acontece com a semente híbrida, que exemplifica a típica ideologia da agricultura moderna: o consumo permanente.
    Na agricultura moderna, tudo que é produzido de dejetos, efluentes ou resíduos é lixo. Estes subprodutos são depositados na natureza, causando grande impacto ambiental. Esta maneira de pensar consumista é uma concepção muito nova, moderna, destruidora, não-rege­nera ti va que reflete a falta de harmonia entre homem e ambiente  e a despreocupação com o todo. O mesmo acontece nas cidades. A área onde são construídas as cidades é a mesma em que são colocados os dejetos produzidos por elas. Isto significa o homem poluir a si mesmo.
    A utilização de máquinas pesadas também faz parte da ideologia da agricultura moderna. Quanto maiores forem as máquinas, mais tecnologia e status representam. No entanto, estas máquinas têm um alto custo e exigem financiamentos que causam o endividamento do produtor agrícola. Isto não é sustentabilidade. Outro inconveniente do uso de máquinas pesadas é o grande impacto na estrutura do solo e o afastamento do agricultor da terra.
    A desestruturação do solo causa a pulverização e compactação da terra. Já o afastamento do agricultor da terra faz com que se perca o contato com a mesma, o diálogo com a natureza e a observação das plantas e animais. Além disto, também possui conseqüências sociais, como a migração do colono para as cidades por causa de financiamentos que acabam comprometendo a propriedade.
    O mau manejo e o uso intensivo do solo também provocam desestruturação. Na camada mais superficial, o solo fica desintegrado, pulverizado. Na camada mais profunda, o solo fica compactado pelo uso sistemático de máquinas pesadas. Com o tempo, forma-se uma camada dura e compactada embaixo da terra e uma camada fofa e pulverizada em cima, que, teoricamente, seria o ideal para receber a semente. Estas condições, aliadas à chuva, causam o deslocamento do solo - também chamado de perda de solo anual -, a dificuldade de penetração e fixação das culturas, a dificuldade de trocas químicas, a dificuldade de absorção de água e oxigênio e a intoxicação ou eliminação total da microvida. Este é o custo ambiental da agricultura moderna e do mau manejo do solo.
    A adubação química pesada, de alto custo, causa o desequilíbrio fisiológico da planta, o desequilíbrio ecológico do solo e a dependência do agricultor. As plantas possuem um mecanismo de resistência a "pragas" - o termo correto seria "insetos com fome" (Teoria da Trofobiose, de Francis Chaubossou) - que se baseia em seu equilíbrio fisiológico.
    As plantas equilibradas não são boas hospedeiras ou bons alimentos para bactérias, fungos, vírus, insetos, nematóides, ácaros. Isto ocorre porque estas plantas apresentam em sua seiva proteínas complexas que não podem ser desdobradas por estes organismos pela falta de enzimas necessárias para a quebra das cadeias de proteínas. Já as plantas desequilibradas por estresse, por aplicação de produtos químicos, por variações de clima, por inadequação da espécie à região, são bons alimentos, pois possuem menor capacidade de metabolização dos aminoácidos livres para transformá-los em proteínas complexas. Desta forma, o inseto dito "praga" tem condições de evoluir, já que os aminoácidos livres são alimento para ele.
    O desequilíbrio biológico do solo, causado pela utilização de produtos químicos, afeta microorganismos responsáveis pela disponibilidade de nutrientes importantes para a planta que não consegue absorvê-los através de suas raízes. Desta forma, não existe a colaboração de microorganismos do solo para processamento da matéria orgânnica. Esta microvida está sendo sistematicamente eliminada. Além disso, quando o agricultor trabalha com adubação química constante, cria a necessidade cada vez maior de utilização de nutrientes químicos, ocorrendo sua dependência econômica e cultural.
    O uso freqüente e intensivo de biocidas (herbicidas, inseticidas, acaricidas, nematicidas, fungicidas) é uma prática de conseqüências bastante graves. Os adeptos da agricultura moderna não gostam deste termo, mas, na verdade, os biocidas são produtos que matam a vida. Alguns matam ervas, insetos, ácaros, mas se o homem entra em contato com estes produtos também acaba morrendo ou tendo doenças como câncer e degenerações genéticas.
    O que fica bem caracterizado dentro do modelo de agricultura moderna é a dependência tecnológica e cultural. A cultura agrícola camponesa, tradicional, vai se perdendo com o tempo, principalmente com o desrespeito ao agricultor e a supervalorização do técnico-cientista, que impõe técnicas importadas, desconhecidas pelo agricultor, assim como acontece com os insumos.
    A destruição de alimentos, o consumo exagerado, a insustentabilidade a longo prazo e o balanço energético negativo também são características próprias da agricultura moderna. Dentro das estruturas de transformação de alimentos, a perda e a ineficiência do processo são muito grandes. A destruição de alimentos pode ser observada através das questões de mercado, da estocagem, do transporte e da comercialização.
    A agricultura moderna, extremamente consumista, não fecha ciclos, não tem a preocupação de reciclar, de regenerar, de fazer com que o produto retorne para a fonte. Isto é observado nos lixões das cidades. O material orgânico não retorna para a agricultura em forma de adubo e o material mineral - latas, vidros - não retorna para a produção. tudo é consumido ou descartado. O não fechamento de ciclos tem um balanço energético negativo. A sociedade moderna consome mais do que produz.
    E isto tem reflexos na insustentabilidade da agricultura moderna. Considerando-se a história da humanidade, este novo modelo de agricultura está em prática há um período muito curto. No entanto, já mostra seu colapso. Deve-se perceber este colapso e encontrar caminhos. Um deles é retomar a agricultura tradicional do camponês, conhecer fundamentos e práticas agrícolas já esquecidas e buscar alternativas sustentáveis para a agricultura.
    Como alternativa à agricultura moderna amplamente praticada atualmente, a agricultura ecológica começa a se estender no mundo e no Brasil através de diversas correntes que se diferenciam em alguns pontos, mas possuem princípios comuns. Estas tendências têm origem e precursores diferentes, recebem denominações específicas - Orgânica, Biodinâmica, Natural, Permacultura, Alternativa, Nasseriana -, mas possuem o mesmo objetivo: promover mudanças tecnológicas e filosóficas na agricultura.
    Agricultura Orgânica: é a mais antiga e tradicional corrente da agricultura ecológica. Teve origem na Índia e foi trazida por acadêmicos franceses e ingleses, ainda hoje influenciando a sua sistemática de trabalho. A agricultura orgânica é baseada na compostagem de matéria orgânica, com a utilização de microorganismos eficientes para processamento mais rápido do composto; na adubação exclusivamente orgânica, com reciclagem de nutrientes no solo; e na rotação de culturas. Os animais não são utilizados na produção agrícola, a não ser como tração dos implementos e como produtores e recicladores de esterco.
    Agricultura Biodinâmica Originária da Alemanha, é baseada no trabalho de Rudolf Steiner. As principais características, além da compostagem, é a utilização de "preparados" homeopáticos ou biodinâmicos, elementos fundamentais na produção que são utilizados para fortalecimento da planta, deixando-a resistente a determinadas bactérias e fungos, e do solo, ativando sua microvida. Os animais são integrados na lavoura para aproveitamento de alimentos, ou seja, aquilo que o animal tira da propriedade volta para a terra. A importação de adubo orgânico não é permitida, pois materiais orgânicos de fora da propriedade ou da região não são adequados por não possuírem a bioquímica, a energia ou a vibração adequada à cultura. Existe a preocupação com o paisagismo, com a arquitetura e com a captação da energia cósmica. A agricultura biodinâmica está baseada na Antroposofia, que prega a importância de conhecer a influência dos astros sobre todas as coisas que acontecem na superfície da terra.
    Agricultura Natural: Com origem no Japão, a principal divulgadora desta corrente de trabalho ecológico é a Mokiti Okada Association (MOA). Além da compostagem, utilizam microorganismos eficientes que têm capacidade de processar e desenvolver matéria orgânica útil. Utilizam a adaptação da planta ao solo e do solo à planta. Este é o primeiro passo para a manipulação genética e, conseqüentemente, para a dominação tecnológica, característica semelhante à agricultura moderna, não sendo bem aceita por outras correntes da agricultura ecológica.
    Permacultura: Tem origem na Austrália e no Japão e segue o pensamento de Bill Mollison. As principais características são os sistemas de cultivo (sistemas agro-silvo-pastoris) e os extratos múltiplos de culturas. Utilizam a compostagem, ciclos fechados de nutrientes, integração de animais aos sistemas, paisagismo e arquitetura integrados. Na Permacultura não existem tecnologias adequadas ou próprias, mas sim "tecnologias apropriadas". A comunidade tem determinada importância, deve ser auto-sustentável e auto-suficiente, produzindo seus alimentos, implementos e serviços sem a existência de capital. A comercialização deve ser feita através da troca de produtos e serviços.
    Agricultura Alternativa: Seus precursores no Brasil foram Ana Primavesi, José Lutzenberger, Sebastião Pinheiro, Pinheiro Machado e Maria José Guazelli. Os princípios desta corrente são a compostagem, adubação orgânica e mineral de baixa solubilidade. Dentro da linha alternativa, o equilíbrio nutricional da planta é fundamental. Aparece, então, o conceito de Trofobiose, que considera a fisiologia da planta em relação à sua resistência a "pragas" e "doenças". Outra característica é o uso de sistemas agrícolas regenerativos, e daí surgiu a agricultura regenerativa, termo defendido por José Lutzenberger. Outras pessoas dentro desta mesma tendência adotaram o termo agroecologia (Miguel Altieri) que possui um cunho político e social. A agroecologia prioriza não só a produção do alimento, mas também o processamento e a comercialização. Esta linha também se preocupa com questões sociais como a luta pela terra, fixação do homem ao campo e reforma agrária.
    Nasseriana: É a mais nova corrente da agricultura ecológica e tem como base a experiência de Nasser Youssef Nasr no Estado do Espírito Santo. Também chamada de biotecnologia tropical, defende o estímulo e manejo de ervas nativas e exóticas, a multidiversidade de insetos e plantas, a aplicação direta de estercos e resíduos orgânicos na base das plantas, adubações orgânicas e minerais pesadas. Nasser diz que a agricultura de clima tropical do Brasil não precisa de compostagem, pois o clima  quente e as reações fisiológicas e bioquímicas intensas garantem a transformação no solo da matéria orgânica. No Brasil, defende Nasser, o esterco deve ser colocado diretamente na planta, pois esta sabe o momento apropriado de lançar suas radículas na matéria orgânica que está em decomposição, e os microorganismos do solo buscam no esterco os nutrientes necessários para a planta e os levam para baixo da terra. Outro ponto interessante é o uso de ervas nativas e exóticas junto com a cultura para que haja diversidade de inços. Desta forma, é preciso manejar as ervas nativas de maneira que elas mantenham o solo protegido e façam adubação verde. Não temos uma agricultura de solo, mas de sol.
    Todas estas diversas correntes e tendências dentro da agricultura ecológica concordam que a agricultura sustentável precisa de alguns princípios básicos para se implantar como tal. O primordial seria o respeito, a observação e o diálogo com a natureza. Um verdadeiro camponês, agricultor, agrônomo ou técnico agrícola deve ter a capacidade de perceber e de entender o que está acontecendo com a planta e com o animal. Isto resulta no uso da natureza a favor da cultura.
    Também é importante o aproveitamento de recursos naturais renováveis, a reciclagem de lixo orgânico e de resíduos, a adubação orgânica e a humidificação do solo, a adubação mineral pouco solúvel, o uso de defensivos naturais, o controle biológico e mecânico de insetos e ervas, a permanente cobertura do solo e a adubação verde.
    Outras técnicas comuns são a diversificação dos cultivos e dos animais, a consorciação e a rotação de culturas e a não-utilização de agrotóxicos, adubos químicos solúveis e hormônios vegetais ou animais. Com relação a defensivos naturais, alguns são tolerados pela agricultura ecológica. Nenhuma corrente recomenda produtos para controle de insetos, ácaros ou fungos, mas existe a possibilidade de usar extratos e caldas vegetais - piretro, nicotina, retonona, sabadilha -, pó de enxofre, calda bordalesa e sulfocálcica, sulfato de zinco, permanganato de potássio. Estes produtos são usados com pouco ou menor impacto ambiental. Soluções de óleo mineral, querosene e sabão são produtos que podem ser usados, pois não são intoxicantes ou impactantes do meio ambiente.

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    quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    máquina de baixo custo para beneficiamento de mamona

    máquina de baixo custo para beneficiamento de mamona


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    Foto Embrapa
    Embrapa Algodão desenvolve máquina de baixo custo para beneficiamento de mamona

    A necessidade de elevada quantidade de mão-de-obra e o alto custo dos equipamentos tem representado dois grandes gargalos no cultivo e beneficiamento da mamona no Nordeste. Visando atender à demanda dos pequenos agricultores de mamona da região, a Embrapa Algodão em parceria com o Banco do Nordeste e com a Metalúrgica Barros, em Campina Grande (PB), desenvolveu uma pequena máquina para o descascamento da mamona.

    O protótipo tem o mesmo princípio de descascamento das beneficiadoras de maior porte. A vantagem é que por ser acionado manualmente, através da rotação promovida por pedais de uma bicicleta, possui um baixo custo de confecção – sem a bicicleta, fica em torno de R$ 500,00 reais. O equipamento, que foi demonstrado no IV Congresso Brasileiro de Mamona, no início do mês de junho, deverá ser validado junto aos produtores em setembro próximo, no período da colheita da mamona.

    O pesquisador da Embrapa Algodão, Odilon Reny, um dos responsáveis pelo protótipo, destaca que esta é uma máquina simples, barata, que o pequeno produtor poderá utilizar na sua própria bicicleta. “Por ser acoplada ao protótipo, a bicicleta pode ser removida ao término do trabalho, ou seja, a mesma bicicleta que transporta o agricultor, também ajuda a descascar a mamona”, afirma.

    O equipamento é fruto de uma tese de mestrado e está sendo trabalhado desde 2008. Foi construído com chapas e cantoneiras de ferro e apresenta os seguintes componentes - alimentador, sistema de descascamento (discos), sistema de acionamento (bicicleta) e descarga do material descascado. “O sistema de descascamento é promovido por meio de dois discos revestidos com borracha de 1 cm de espessura. Quando os frutos passam pela abertura entre os discos, sob ação de força centrífuga produzida pelo disco inferior e o atrito entre as borrachas e o fruto, ocorre a separação da casca da semente” diz o pesquisador. “Outra vantagem é que, devido à abertura ajustável entre os discos, ela possibilita o descascamento de todas as cultivares existentes”, complementa.

    A máquina promove o descascamento de 89% de sementes da cultivar BRS Nordestina e 98,9% de sementes descascadas da cultivar BRS Energia. A capacidade de trabalho é de cerca de 74 kg/hora para a cultivar BRS Nordestina e 275,33 kg/hora para a cultivar BRS Energia. “Essa é uma máquina eficaz no processo de descascamento dos frutos de mamona apresentando valores satisfatórios exigidos pelas indústrias de extração de óleo”, conclui Odilon.


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    domingo, 15 de agosto de 2010

    Aquicultura tem seu primeiro workshop internacional em Jaguariúna, SP

    Aquicultura tem seu primeiro workshop internacional em Jaguariúna, SP


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    Eliana Lima
    Aquicultura tem seu primeiro workshop internacional em Jaguariúna, SP

    O ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, esteve na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) na manhã desta sexta-feira (23 de julho) para participar da abertura do I Workshop Internacional de Cooperação Técnica em Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas, organizado pela Unidade, em parceria com a Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas.

    Além de participar da abertura do evento, Gregolin visitou também o Laboratório de Ecossistemas Aquáticos – LEA da Embrapa Meio Ambiente, que recentemente recebeu investimentos da Embrapa em sua infraestrutura e equipamentos para o desenvolvimento de pesquisas em aquicultura. O LEA desenvolve sistemas de avaliação da qualidade da água, por indicadores físicos, químicos e biológicos, que permitem interpretar a estrutura e dinâmica dos ecossistemas aquáticos.

    O laboratório está diretamente envolvido com o Projeto em rede Aquabrasil - Bases Tecnológicas para o Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura no Brasil – parceria entre as unidades da Embrapa: Pantanal, Amazônia Ocidental, Meio Ambiente, Meio Norte, Tabuleiros Costeiros, Informática Agropecuária, Agroindústria Alimentar, Semiárido, Amazônia Oriental, Agropecuária Oeste e Amapá.

    No evento Gregolin destacou a participação da Embrapa por meio das Unidades Meio Ambiente e a de Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas, criada recentemente (Palmas,TO). Para ele a realização deste workshop é extremamente importante, pois a Embrapa passou a tratar a aquicultura como uma política estratégica para o país. “O país tem terra, água e a Embrapa para fazer o desenvolvimento do país. Agora tem água, uma grande área, espécies promissoras e a Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas para o desenvolvimento da aquicultura brasileira”, enfatizou o ministro.

    Além disso, o estabelecimento de parcerias internacionais na área de aquicultura, com os Estados Unidos, por meio da Universidade de Auburn (Texas), com a empresa Nofima (Noruega) e com a Burapha University (Tailândia) vai trazer ao país o conhecimento necessário para o domínio da pesquisa e geração de novas tecnologias, frisou ele.

    Workshop
    A iniciativa em reunir no Brasil especialistas de instituições parceiras e outras com as quais a Embrapa começa a discutir a possibilidade de trabalho nesta área, surgiu em decorrência da recente criação da Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas e do Ministério da Pesca e Aquicultura.

    Além da Unidade de Palmas e da Embrapa Meio Ambiente, estão envolvidas na iniciativa a Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), a Embrapa Soja (Londrina-PR) a Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) e a Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM).

    No âmbito internacional essas articulações envolvem o Laboratório Virtual da Embrapa nos Estados Unidos (Labex –EUA), o Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (ARS, sigla para Agricultural Research Service) e a Auburn University (EUA); Nofima AS (Noruega); Manit Farms e Burapha University (Tailândia).

    Estiveram também presentes ao evento o diretor da Embrapa, Kepler Euclides Filho, o chefe geral da Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas, Carlos Magno Campos da Rocha, o coordenador do Labex EUA, Ladislau Martin Neto, além de autoridades locais.

    Aquabrasil
    O projeto em rede Aquabrasil visa estabelecer bases tecnológicas para o desenvolvimento sustentável da aquicultura no Brasil, além de gerar resultados que subsidiem a elaboração de políticas públicas, estratégias de gestão e ações empresariais para as cadeias produtivas das espécies em estudo: tilápia (Sul e Sudeste), cachara (Centro-oeste), tambaqui (Norte) e camarão branco (Nordeste).

    Está dividido em cinco projetos componentes, dos quais o de manejo e gestão ambiental da aquicultura é liderado pela Embrapa Meio Ambiente, que tem também como objetivo introduzir as Boas Práticas de Manejo - BPMs nos processos de prevenção e redução de impactos ambientais. As BPMs consistem de um conjunto de ações concretas, objetivas e específicas, com a finalidade de aumentar e de assegurar a competitividade e a sustentabilidade de um determinado sistema de produção.


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    quinta-feira, 12 de agosto de 2010

    A Biotecnologia e a agricultura familiar

    A Biotecnologia e a agricultura familiar


    A introdução de tecnologias na agricultura familiar poderá ser um instrumento fundamental e decisivo para a contínua e mais eficiente participação deste importante setor do agronegócio no desenvolvimento social e econômico do Brasil. Entretanto, tecnologias devem ser configuradas como parte de uma estratégia de desenvolvimento que requerem uma análise ex-ante em relação a sua natureza e pujança, associadas a um conjunto de intervenções complementares, que permitam maximizar seus efeitos benéficos e mitigar os custos sociais. Apesar de pouco conhecido por algumas camadas da população, o setor da agricultura familiar apresenta uma grande diversidade em relação ao seu meio ambiente, a sua situação e tipos de produtores, à aptidão às terras, à disponibilidade de infra-estrutura, ao acesso ao crédito, às variações econômicas, entre outras. De acordo com o censo agropecuário de 1995/1996 do IBGE, a agricultura familiar representa 85,2% do total de estabelecimentos, ocupando 30,5% da área total. Apesar de receberem apenas 25,3% do financiamento destinado à agricultura, a agricultura familiar tem sido responsável por 37,9% do VBP (Valor Bruto da Produção) da agropecuária nacional e a principal fonte geradora de empregos no meio rural.

    O acesso à tecnologia tem apresentado uma grande variação, tanto entre os agricultores familiares como entre os grandes produtores. A utilização da tração animal ou mecânica ainda é muito reduzida em uma grande parcela dos agricultores familiares, onde apenas 16,7% utilizam assistência técnica, contra 43,5% entre os grandes produtores. O uso da biotecnologia poderá contribuir para a solução de diferentes problemas e amplificar, de forma ainda mais significativa, os resultados atingidos pela agricultura familiar, com profundos reflexos na qualidade de vida do agricultor familiar e no agronegócio moderno.

    O uso da cultura de tecidos de plantas viabilizará a produção de mudas sadias e livres de doenças; as técnicas de reprodução na área animal possibilitarão o aumento da produtividade; os kits de diagnósticos serão utilizados para a identificação de doenças; o desenvolvimento de novas vacinas será um importante componente na sanidade animal; a expansão de produção em áreas que não poderiam ser utilizadas no passado, por meio de culturas tolerantes à seca, ao frio e à salinidade; o aumento do valor nutricional de diferentes alimentos; as sementes e o leite natural que agrega medicamentos terapêuticos como hormônios, anticorpos e outras biomoléculas de interesse farmacêutico e industrial; a redução da exposição a resíduos de defensivos agrícolas; o aumento do tempo de maturação de frutos, facilitando sua comercialização; a redução de perdas de pós-colheita; a redução de impactos ambientais, graças à redução da utilização de defensivos; a indução de variabilidade; a biorremediação de áreas alagadas e poluídas; entre outras.

    Para países em desenvolvimento como o Brasil, que querem adotar o desenvolvimento de suas próprias capacidades de inovação ou adaptar tecnologias às condições locais, o incremento nos sistemas de pesquisa e desenvolvimento do setor público, focado na produção tecnológica para a solução de demandas, será um ponto fundamental. Devido à importância e à prioridade estratégica, o desenvolvimento de parcerias para o uso de algumas tecnologias deverá ser considerado, com base nos aspectos de propriedade intelectual e biossegurança. Ao longo dos últimos 25 anos, o Estado tem investido no desenvolvimento da biotecnologia, permitindo o domínio de praticamente todas as tecnologias associadas, que poderão servir de base para a geração de novos produtos e processos. Isto tem sido demonstrado pela Embrapa, por meio da produção de plantas de feijão, de batata e de mamão geneticamente modificados, contendo características como resistência a doenças, que contribuirão para a solução de problemas prioritários da agricultura familiar.

    • Elibio Rech é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia.

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